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"Onde estão as coisas dos pobres?" Museus e a pedagogia transformadora de Paulo Freire

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Em 2010 tomei posse como técnica em Assuntos Educacionais no Museu Regional de São João del-Rei, instituição vinculada ao Instituto Brasileiro de Museus/MinC. Desde então tenho coordenado os trabalhos do setor educativo do museu que a partir de 2011 ganhou uma vaga para estagiário. A instituição tem investido na formação de público e recebe durante todo o ano grupos escolares os quais se constituem como o público de maior expressão. Minha atuação demandou a busca de conhecimentos na área de educação em museus e o estabelecimento de diretrizes e métodos que auxiliassem as práticas nas ações educativas. Foi a partir dessa necessidade que surgiu a ideia dessa pesquisa.   Entendo a visita mediada ao museu como uma oportunidade de troca de experiências e conhecimentos através de diálogos entre os visitantes e o educador, mas também entre os próprios visitantes.   É interessante notar como cada pessoa reage aos objetos a partir da própria bagagem cultural. A leitura da narrativa...

NATAL

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Obrigado! Por vir a esse mundo Nascendo com humildade Ensinando-nos O amor e a fraternidade. Por não desistir de nós, Irmãos ignorantes e imperfeitos, Orientando-nos e guiando-nos No caminho da verdadeira felicidade. Perdão! Se ainda não compreendemos Sua mensagem de amor. E ao Invés de vivermos Em ternura e fraternidade Egoisticamente, Escolhemos as sensações dos Prazeres imediatos. Perdão! Se ainda há aqueles que matam Que odeiam, Se ainda não aprendemos o verdadeiro sentido do amor. Postergamos o divino aprendizado E escolhemos os prazeres superficiais Do mundo material. Perdão! Se na época do Natal Oportunidade de congraçamento De união de forças Para ajuda aos irmãos necessitados Oportunidade de dividir, Não somente as sobras De nossa abastança material, Mas, os sentimentos sublimes Que nos ensinou, De exercitar o amor. Na palavra amiga a quem precisa, No carinho ao idoso Na compreensão aos infelizes. Perdão! Se ao invés de ...

Mulher e Educação

Ná não teve como estudar, embora esse fosse seu maior sonho. Quando adolescente foi para o convento na cidade de Cataguases.  De lá guardava boas lembranças, apesar de nos contar a rigidez das regras impostas pelas irmãs de caridade. Lá aprendeu bordado, costura e muitas outras coisas, muito úteis a uma mulher. Ela gostava do convento, porém sentia muitas saudades da família que ficara em sua cidade natal: sua mãe, seu pai e seus irmãos, principalmente o mais novo que muito chorava de saudades da irmã-mãe (era uma das mais velhas e tinha a responsabilidade de mãe para com os irmãos mais novos). Com o coração abnegado que possuía abriu mão de seu sonho em favor de cuidar de seu irmãozinho, que sofria muito com sua ausência.  Com a sua volta, arrumou um pretendente e casou-se aos 27 anos, uma moça “velha” para os padrões de 1953. Dos dez filhos que Deus lhe concedeu, somente teve uma filha mulher para lhe fazer companhia em seus afazeres. Buscou a sua formação ensinando-lhe b...

UM POUCO DA ALMA DE FORTALEZA

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Há algum tempo surpreendeu-me um visitante do museu, no qual eu trabalho. Era um professor de história, da Espanha, especialista em Colonialismo. Dissera-me ele que estivera em Tiradentes, pelo interesse do tema de sua especialização e de lá seguiria para Ouro Preto. Porém, como em Tiradentes não tem ônibus para Ouro Preto, ele teve que vir a São João del-Rei. Ao visitar o museu eu o encontrei por acaso, pois ele queria conhecer a parte interna do museu. Foi nesse momento que conversando, ele me disse: “Estou surpreso com os museus brasileiros, positivamente. São muito bons! Estou muito feliz de ter vindo” (Ele havia ido a Congonhas e em outros lugares os quais não me lembro agora). Entretanto, o mais surpreendente de sua declaração não se refere a nada disso.  A frase que me causou espanto foi essa: “Estou encantado com São João del-Rei. Estive em Tiradentes e me pareceu uma cidade-museu. Mas aqui, me deparei com uma cidade real”. Fiquei imaginando como um estrangeiro, ...

BROA QUENTINHA COM CHEIRO DE ASSA-PEIXE

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Hoje não tenho mais minha mãe comigo. Ela ficou “encantada”, na versão de Guimarães Rosa, há doze anos. Meus pensamentos voam até o país maravilhoso da infância feliz em um sítio nas proximidades de Rio Espera. É sábado, um dia muito especial. Além de ser o dia em que podemos pescar, evidente que somente após o cumprimento das obrigações (varrer o terreiro com a vassoura de alecrim colhida por nós mesmos, bem de manhãzinha, no pasto das vacas de leite), minha mãe faz quitandas. Cedo, ela acende o fogo com palha de milho e lenha no forno de barro que tínhamos no terreiro.  Deixa queimar toda a lenha até o forno ficar bem quente, enquanto isso ela vai amassando as quitandas. A broa de milho é feita com uma massa bem dura, então ela “atende” a broa com uma xícara, ou seja, pega um pouco da massa, coloca na xícara, balança até que ela adquira uma forma arredondada e lisa e então, joga-a, com força no tabuleiro.   Antes de colocar para assar, as quitandas, ela, com uma vas...

BIDU

Ele ouviu passos ao longe e ficou arredio. Logo seu instinto o advertiu que podia correr perigo e uma inquietação desassossegou- lhe os modos: rosnou baixinho, enquanto girava em torno de si mesmo, depois permaneceu em alerta e aguardou. Os passos arrastados foram ficando cada vez mais próximos, então, ele se encolheu atrás de uma moita de capim, que ficava em um lote vago e aguardou. À medida que os passos se aproximavam, a figura ia crescendo, crescendo.             - Oi amiguinho! Trouxe uma surpresa para você.             Aquele ser jogou pedaços de pão, bem pertinho dele, mas não teve coragem de buscar, para não se expor.             - Come amiguinho! Come!              Ele desconfiava! Lágrimas de desejo caiam de seus olhos enquanto a boca salivava pe...

Justificando o título do Blog

Penso que seja pertinente, antes de qualquer publicação, explicar o porquê do título do blog.   A palavra foi criada por mim na junção de duas outras: educação e griô ou griot.         A intenção, aqui, é escrever sobre educação em geral e especialmente sobre educação em museus e temas relacionados, no entanto, a intenção, também, é escrever histórias.         As histórias podem ter vínculo com a educação ou não. Considero o ato de contar histórias crucial, tanto como recurso educativo, como uma oportunidade de compartilhamento, o qual reforça a identidade cultural e diverte, simultaneamente.         Os dois temas são de grande interesse para mim. Recentemente, fiz uma pesquisa de mestrado em educação em museus cujo resultado respondeu algumas perguntas, porém, suscitaram outras, que caressem de reflexões e mais leituras. Portanto, a educação é um campo vasto de discussão...