Postagens

Refletindo Sobre o Jaleco Pesado

Imagem
    Hoje fui fazer uma radiografia dentária e pensei muito na morte. Calma pessoal! Antes que um abusado fale que a pandemia está acarretando sérios danos às minhas funções neurológicas, gostaria de explicar. Isto não quer dizer que o vírus não tenha nos afetado, em nosso equilíbrio! Colocou a todos para olharem-se! Ele nos fez repensar em nossos valores, em como estávamos gastando nosso tempo e em o que realmente importa na vida. Mas isso é assunto para outro dia, voltemos aos dentes, ou melhor, à radiografia! Primeiro, tenho que esclarecer que tipo de radiografia era. Não fui fazer uma radiografia qualquer, simples, de um dente só, não. Fui fazer uma radiografia panorâmica aquela em que podem ver toda a sua vida representada no histórico de seus dentes. As ausências, as perdas e a resiliência de alguns. Tudo que é perfeitamente normal que aconteça na vida de reles mortais. Quando cheguei e entrei na sala de radiografia fiquei surpreendida como o aparelho de raio X, mui...

JUNG E A EDUCAÇÃO

Imagem
Com o desenvolvimento vertiginoso da tecnologia que acarretou   a democratização da internet e o acesso à informação , torna-se evidente que o foco da educação formal não deva ser mais simplesmente a transmissão de conteúdos, mas   o desenvolvimento do ser humano que possibilite uma formação mais profunda e o capacite para a vida. Em seu artigo, publicado pela primeira vez em 1928,   intitulado A importância da psicologia analítica para a educação [1] Carl Gustav Jung já mencionava a necessidade dessa mudança de paradigma a qual prepararia a criança para a vivência no mundo. Com o equilíbrio psicológico advindo de uma educação formadora, ela poderia melhor conhecer-se e assim, melhor relacionar-se no convívio social. Segundo ele “a finalidade dessa educação é conduzir a criança para o mundo mais amplo e dessa forma completar a educação dada pelos pais. (Jung, 1972). A mudança de paradigma ainda é mais urgente nos dias atuais pois, a sociedade atual apresent...

O EFÊMERO E O ETERNO

Imagem
O balanço range, mas o ramo não verga.   O rosto passa, ora na sombra, ora no sol. Um cheiro de umidade e de luz. Orvalho por cima das violetas. Lesmas por baixo das folhas. Fogem lagartixas pelos tijolos. Uma cigarra desabrocha fogo, de repente, sobre a resina dos cajueiros. Passam borboletas brancas em grupos: ramos de flores voando . A vida vibra. Posso sentir-lhe a pulsação neste trecho de Olhinhos de Gato . A cena está diante de nós com todos os detalhes, vibrando ao mesmo tempo. As cores, os movimentos, os bichos tomam nossos sentidos de tal forma que nos sentimos lá, nesse mundo encantado, repleto de vida, beleza e poesia. Assim é o livro Olhinhos de Gato de Cecília Meireles. Em um primeiro momento, o livro pode parecer uma história infantil, principalmente porque a escritora dedicou-se a essa categoria literária. Entretanto, é um livro que reflete sobre assuntos difíceis como a morte, memórias e família. Seu encanto é justamente tratar temas tão difíceis, de ...

SÁBADO

Imagem
Sábado tinha magia. Não era nem domingo, com sua apatia e nem dia de semana com feira, que significava vida que segue. Era um dia especial. Domingo era um dia morno, em que, além da missa nada acontecia. Era dia de preguiça, dia ver televisão de 14 polegadas, azul que ficava na sala, em cima de móvel vermelho, com divisões de vidro onde sua mãe guardava suas louças de chá. A bem da verdade, nunca tomaram chá naquelas coisas. No máximo, sua mãe servia café nas xícaras, quando recebiam visitas. O chá que tomavam lá, era de mercurina ou de chapéu de couro para fazer desaparecerem as perebas das pernas e “purificar o sangue”. Sua mãe possuía um exemplar do livro As Plantas Curam . O que me faz supor que esse costume tenha vindo do seu avô materno, pois ele era curandeiro popular. Sua vida provocou em Joana Carolina um profundo encantamento quando soube, através dos parentes, que ele não só ia às casas das pessoas trabalhando para a cura delas, mas também as levava para sua própr...

O CANTO DO SABIÁ

Imagem
Joana Carolina desceu da cama e pisou o assoalho de tábuas, sem fazer barulho. Seus olhinhos sonolentos, quase não se abriam. Na penumbra da casa, caminhou em direção ao quarto de seus pais. Subiu e se enfiou no meio deles. Era de manhãzinha. Lá fora o sabiá cantava, agradecido pela chuva que caíra durante a noite. Bem-te-vis, sanhaços e coleiros- uns de gravatinha e outros, sem- agitavam-se alegres nas bananeiras, mangueiras e laranjeiras e saudavam felizes, o dia claro, límpido após o vendaval. Tudo se renovava. Dentro do quarto, ouvia-se o murmúrio das águas, caudalosas, correndo volumosas abençoadas pelas irmãs que desceram do céu trazendo vida. Em seu ninho, Joana aconchegou-se ao seio materno e a percepção da paz advinda da harmonia da natureza inundou seu coração sobrepondo-se temporariamente à vaga ideia de um temor que, às vezes, cobria seu coração. Pela greta da janela fechada com a tramela, percebeu que era dia, no entanto dentro do quarto, na penumbra reconf...

"Onde estão as coisas dos pobres?" Museus e a pedagogia transformadora de Paulo Freire

Imagem
Em 2010 tomei posse como técnica em Assuntos Educacionais no Museu Regional de São João del-Rei, instituição vinculada ao Instituto Brasileiro de Museus/MinC. Desde então tenho coordenado os trabalhos do setor educativo do museu que a partir de 2011 ganhou uma vaga para estagiário. A instituição tem investido na formação de público e recebe durante todo o ano grupos escolares os quais se constituem como o público de maior expressão. Minha atuação demandou a busca de conhecimentos na área de educação em museus e o estabelecimento de diretrizes e métodos que auxiliassem as práticas nas ações educativas. Foi a partir dessa necessidade que surgiu a ideia dessa pesquisa.   Entendo a visita mediada ao museu como uma oportunidade de troca de experiências e conhecimentos através de diálogos entre os visitantes e o educador, mas também entre os próprios visitantes.   É interessante notar como cada pessoa reage aos objetos a partir da própria bagagem cultural. A leitura da narrativa...

NATAL

Imagem
Obrigado! Por vir a esse mundo Nascendo com humildade Ensinando-nos O amor e a fraternidade. Por não desistir de nós, Irmãos ignorantes e imperfeitos, Orientando-nos e guiando-nos No caminho da verdadeira felicidade. Perdão! Se ainda não compreendemos Sua mensagem de amor. E ao Invés de vivermos Em ternura e fraternidade Egoisticamente, Escolhemos as sensações dos Prazeres imediatos. Perdão! Se ainda há aqueles que matam Que odeiam, Se ainda não aprendemos o verdadeiro sentido do amor. Postergamos o divino aprendizado E escolhemos os prazeres superficiais Do mundo material. Perdão! Se na época do Natal Oportunidade de congraçamento De união de forças Para ajuda aos irmãos necessitados Oportunidade de dividir, Não somente as sobras De nossa abastança material, Mas, os sentimentos sublimes Que nos ensinou, De exercitar o amor. Na palavra amiga a quem precisa, No carinho ao idoso Na compreensão aos infelizes. Perdão! Se ao invés de ...